Redação
Quem imaginaria que o algodão, tão macio, poderia se transformar em um tijolo resistente? Um grupo de alunos do curso Técnico Têxtil da Escola Técnica Estadual de Campo Verde (ETEC-CV) desenvolveu o EcoTijolo, um tijolo feito a partir de resíduos do beneficiamento do algodão. O projeto foi apresentado na Mostra Estadual das Escolas Técnicas (III MEET) e se destaca por combinar sustentabilidade e inovação na construção civil.
O produto é composto por uma mistura de areia, resíduos de algodão, cimento e água. Cada unidade pesa 700 gramas e tem um custo de produção estimado em R$ 5,70. Segundo a professora e engenheira agrônoma Manoela Lara Dias, a ideia surgiu durante discussões sobre como reaproveitar os resíduos do processo de beneficiamento do algodão. Campo Verde, que em 2023 foi o terceiro maior produtor de algodão do Brasil, gera toneladas de resíduos têxteis anualmente.
“Escolhemos o tijolo porque as formas são acessíveis e fáceis de confeccionar. Além disso, o custo dos materiais é competitivo em comparação aos tijolos convencionais”, explicou Manoela.
Após misturar os materiais, a massa é moldada e permanece nas formas por até 30 minutos. Em seguida, os tijolos levam cerca de três dias para secar. O projeto contou com doações de resíduos e apoio financeiro da escola para sua execução inicial.
O EcoTijolo não apenas reaproveita resíduos que seriam descartados, mas também contribui para construções mais sustentáveis. Testes realizados indicaram boa resistência e impermeabilidade à água. Além disso, tijolos produzidos com materiais alternativos tendem a reduzir a condução térmica, tornando os ambientes mais frescos – uma solução especialmente relevante em Mato Grosso, onde Cuiabá registrou 44,1°C em outubro de 2024, o maior índice de calor do ano.
“Tijolos sustentáveis, como o EcoTijolo, criam barreiras térmicas que ajudam a isolar o calor, além de contribuir para a redução de impactos ambientais causados pelo descarte inadequado de resíduos”, destacou Diego Miguel Carioca de Paula, biólogo e bioconstrutor do NEPBIO Pantanal.
Apesar do potencial, o EcoTijolo ainda enfrenta desafios para se consolidar no mercado. Segundo o engenheiro civil Paulo Ávila, materiais ecológicos precisam superar barreiras de custo e aceitação. “O mercado ainda busca tijolos convencionais, que são mais baratos e amplamente conhecidos. No entanto, iniciativas como essa têm grande impacto socioambiental e podem se tornar mais viáveis com maior escala de produção”, afirmou.
O grupo de estudantes já iniciou o processo de patente do EcoTijolo e busca parcerias para ampliar a produção. “Acreditamos que o produto pode contribuir para um modelo mais sustentável de construção e uso do algodão no estado”, disse Manoela.
Mato Grosso lidera a produção nacional de algodão, respondendo por cerca de 70% da safra brasileira, com exportações recordes de pluma em 2024. Campo Verde, a 139 km de Cuiabá, é destaque no setor, com 15 usinas beneficiadoras. O polo têxtil tem papel crucial no fornecimento de matéria-prima e no desenvolvimento de iniciativas inovadoras, como o EcoTijolo.
Essa junção de inovação, sustentabilidade e a força da produção local pode colocar Mato Grosso na vanguarda da bioconstrução e fortalecer o estado como referência em economia verde.
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